Dr Stefano Fiuza especialistas em câncer de boca
Imagine que você está em um check-up de rotina ou talvez apenas passando a mão pelo pescoço enquanto assiste TV e, de repente, sente um pequeno caroço. Ou pior: o radiologista, durante um exame de carótidas, solta a frase: “Apareceu um pequeno nódulo na sua tireoide”. Naquele instante, o mundo parece pausar. A mente salta imediatamente para o pior cenário, e a palavra “nódulo” se traduz, no seu íntimo, como algo ameaçador. Se você está passando por isso, o primeiro passo é respirar. Como cirurgião de cabeça e pescoço, vejo esse cenário diariamente. A verdade é que os nódulos de tireoide são extremamente comuns. Se fizéssemos uma ultrassonografia em todas as pessoas que passam pela rua agora, mais da metade teria pelo menos um nódulo.
No entanto, menos de 5% a 10% desses achados são, de fato, um câncer de tireoide. O grande desafio da medicina moderna não é apenas “achar” o nódulo, mas saber o que fazer com ele de forma individualizada, evitando tanto a negligência quanto o excesso de tratamento. A investigação: O que o nódulo está tentando nos dizer? Quando recebo um paciente com esse “achado ocasional”, meu papel é ser um detetive. O ultrassom é o nosso primeiro par de olhos. Observamos as bordas, a presença de microcalcificações e a vascularização. Se o nódulo apresenta características suspeitas, partimos para a PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina). Imagine a PAAF como uma “biópsia líquida”. Com uma agulha muito fina, coletamos células que serão analisadas por um patologista.
O resultado vem em uma escala chamada Bethesda, que vai de 1 a 6. Bethesda 2 é o porto seguro: benigno. Monitoramos com calma. Bethesda 5 ou 6 indica uma alta probabilidade de malignidade (carcinoma papilífero, geralmente). Aqui, o plano de ação se torna cirúrgico. Bethesda 3 ou 4 é a “zona cinzenta”, onde a análise genética do nódulo pode nos poupar de uma cirurgia desnecessária. Além do bisturi: O plano de cuidado Antigamente, a regra era quase absoluta: tem nódulo grande ou suspeito? Tira a tireoide toda. Hoje, a medicina é muito mais elegante e conservadora. Entendemos que muitos carcinomas papilíferos pequenos e pouco agressivos podem ser apenas observados de perto — o que chamamos de vigilância ativa.
Para nódulos benignos que crescem a ponto de causar desconforto ao engolir (disfagia), sensação de aperto ou incômodo estético, temos alternativas como a Ablação por Radiofrequência (RFA). É um procedimento minimamente invasivo, sem cortes, onde “queimamos” o nódulo por dentro, preservando a função da glândula e evitando cicatrizes no pescoço. O fator humano na mesa de cirurgia Quando a cirurgia é realmente necessária, a maior preocupação do paciente costuma ser a voz e a cicatriz. Como a tireoide fica “abraçada” aos nervos laríngeos e próxima às glândulas paratireoides (que controlam o cálcio), a precisão técnica é fundamental. O uso de monitorização nervosa durante o procedimento traz uma camada extra de segurança para preservar as cordas vocais.